
Introdução
/ 01 — 2020
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01 films
A fotografia assume a forma de uma representação dramática, utilizada como meio central de abordagem e exploração da própria psique, dos vínculos emocionais, dos transtornos mentais, dos traumas e da depressão, a partir
© 2020

Texto da artista
A fotografia assume a forma de uma representação dramática, utilizada como meio central de abordagem e exploração da própria psique, dos vínculos emocionais, dos transtornos mentais, dos traumas e da depressão, a partir de memórias de um passado substancial para a construção do presente. Esse mesmo passado se encerrou, permitindo transformar as situações vividas e abrir um novo caminho para essa experiência por meio do reprocessamento fotográfico.
Uma cena desdobrada e ampla em possibilidades, na qual a protagonista se torna um ego auxiliar, transformando seu passado pela perspectiva de outra pessoa, distanciando-se do roteiro e dessensibilizando a situação por meio de enquadramentos de autorretratos que narram cada etapa da história, ao mesmo tempo que permitem a manipulação física, digital e contextual do desfecho. O coração cotidiano, pronto para acolher mudanças sob lembranças que já não lhe pertencem. Se há crenças ancestrais, situações e características transmitidas, acredito que esse laço foi cortado quando a fotografia me permitiu materializar finais diferentes para todas as histórias.
01 — Texto
“Um Diário com Memórias que Não Tenho” teve início em 2010. Comecei na fotografia com autorretratos, que simbolizam para mim uma esfera de catarse. Na fotografia, surgiu uma necessidade inconsciente de expor situações, transtornos decorrentes de traumas, depressão e fobias que eu vivenciava e, na época, não sabia como expressar. Foi também quando tive contato e me identifiquei com as chamadas “fotógrafas suicidas”, especificamente Francesca Woodman e Diane Arbus. Muito se revelou ao longo desse processo, e os autorretratos passaram a servir de base para tratamentos psicológicos, especificamente com técnicas de psicodrama ( Jacob Levy Moreno – 1925) e EMDR (Francine Shapiro – 1987).
Este projeto envolve a dessensibilização de memórias traumáticas relacionadas a violações sexuais por meio da fotografia, do ruído e da performance. Neste projeto, foram utilizadas especificamente técnicas de EMDR e psicodrama, e meu corpo e minha história foram tomados como experimento
02 — Texto
Quimera para afirmar a impossibilidade de transformar experiências passadas, pois, se anseio pelo céu sem ter asas, sou apenas um devaneio para quem me olha. Mas, mesmo incapaz de voar, com os pés fixos ao lugar onde estou predestinada a permanecer presa, esse chão que me enraíza já não é absoluto diante do que tanto desejo. Meu olhar se fixa no desejo mundano, alterando toda a perspectiva, criando firmeza, e assim me torno a mais bela de todas as aves. É nesse momento que descubro que a acusação é o consolo do prisioneiro, pois ele aponta para aquilo que desconhece e acredita que voar é uma doença.
A fotografia serviu de suporte diante da minha dificuldade de explorar verbalmente minhas experiências. Houve uma identificação da minha fotografia com os papéis da Teoria do Desenvolvimento, a Inversão de Protagonismo e a Técnica do Espelho, técnicas desenvolvidas no Psicodrama que correspondem às fases do autorretrato como experiência catalisadora. No autorretrato, meus egos auxiliares conduziam a cena e, por meio desse espelho, apliquei as técnicas de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares). Por ter sofrido uma sequência de traumas, eu apresentava PTSD e, por isso, considerava fictícia grande parte do que havia acontecido. No entanto, ao trabalhar os dois hemisférios cerebrais, o EMDR reativou o processamento de experiências que haviam sido esquecidas ou agravadas.



































